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18 Jan

A força da Juventude de France Powell

Uma senhora de 70 Anos. Uma bicicleta desdobrável com alforges. Muitos sonhos.

Foi assim que France Powell se apresentou em maio de 2017. Conhecemo-nos através da rede de hospitalidade WarmShowers, uma rede específica para ciclorturistas. Encontrámo-nos para conversarmos e para trocar umas dicas.

Não ficando indiferente a esta história senti que tinha de a escrever, tinha que a partilhar com mais gente. Para todos verem que é verdade e é possível. Parece uma história de contos de fadas, ou o início de um livro de romance, mas não, é a história da France Powell.

Foto 1

Como começou a minha relação de amor com o ciclismo? Bem, alguém poderia ter dito com sinceridade que foi tudo menos amor à primeira vista! Quando as minhas pernas se tornaram suficientemente longas, aprendi a andar na bicicleta da minha mãe. O meu pai segurou-me o selim até eu ganhar equilíbrio e soltou-me. Depois de alguns acontecimentos menos felizes, a minha carreira de jovem ciclista terminou abruptamente; mal sabia eu que o ciclismo se tornaria uma paixão.

O meu nome é France Powell. Tenho quase 71 anos e vivi para viajar nos últimos seis anos. A minha bicicleta preferida é uma desdobrável laranja de turismo que eu batizei de Betsy. Desde que viajo sozinha, falo com a Betsy de todas as maneiras! Se alguma vez levou com o pedal inesperadamente na canela, saberá o que quero dizer!

A Betsy percorreu os estradões cubanos e as estradas madeireiras canadianas; Ela rolou pelas íngremes rotas de São Miguel, Açores e pelo Japão. Dobrar a Betsy é um jogo de crianças e permitiu-me variar facilmente os meios de transporte. Embarquei em navios de cruzeiro na Noruega ou no Quebec; andei no transCanada ou levei-a num navio para a Europa; Também andámos em táxis e de carro. Tudo se torna mais fácil com a Betsy num saco.

Betsy in Denmark

Betsy na Dinamarca

Porque tenho tempo livre, viajo por prazer e conheço muitas pessoas interessantes. Muitas vezes, as minhas ideias para viagens vêm de vários fóruns de bicicleta. Existem muitos continentes e países que eu gostaria de explorar, como África, América do Sul, Nova Zelândia e Índia, mas não sei se vou viver o suficiente, e de forma saudável, para visitá-los. Para já, neste ano, viajei durante três meses na Europa (litoral de Portugal, Espanha e França) e na costa da Colúmbia Britânica. Prefiro andar pelo litoral dos países.

Algumas pessoas parecem surpreendidas porque viajo sozinha; também sinto-me surpreendida porque costumava ser bastante avessa ao risco. Gostava sempre de saber onde estaria a cada dia e onde dormiria todas as noites. As viagens de bicicleta mudaram a minha maneira de ser. Agora uso uma aplicação para organizar as minhas rotas em tempo real. Os meus mapas digitais mostram rotas de bicicleta, a altimetria e alojamento. Confio no GPS para a navegação. Eu costumava ter medo de ter furos, perder-me ou ser maltratada. Mas agora, confio na minha experiência para resolver os problemas. As pessoas dizem que sou corajosa. Não me sinto corajosa, mas estou decidida a não deixar que o medo se sobreponha e a confiar nas pessoas. Acima de tudo, eu aceito que, em última análise, não consigo decidir o meu destino.

Você decide viajar na sua bicicleta e talvez se pergunte o que é preciso. Para mim, acho que é preciso mais do que estar em forma, ter equipamento, tempo e dinheiro! Para viajar 6-7 meses por ano, ou mais, é preciso ser mental e espiritualmente forte. Preciso de estar em paz comigo própria e sentir-me grata pelo privilégio de viajar mesmo quando estou constantemente a ser desafiada. Preciso aceitar os meus limites. Sou lenta e cometo erros. Eu sonho em grande, mas posso atingir menos e sentir-me bem. Tenho dificuldade em pedir ajuda aos outros. Mas no fim, tenho aprendido que viajar é fazer conexões com o outro, experimentar as outras culturas e explorar os seus países.

France Powell in Cuba

France Powell em Cuba

Por que não visitar São Miguel, pensei impulsivamente! Por que não, de facto, já que se encontrava no meu caminho para o Porto! Em pouco tempo, estava a viajar para Ponta Delgada, um destino exótico. Eu visitei a ilha na primavera quando a Columbia britânica, minha província natal, ainda mal se esquivava das neves do inverno. Embora muitas vezes eu tivesse de empurrar a minha bicicleta carregada ao longo da íngreme estrada circular da ilha, senti que este facto me preparou para a minha jornada nos litorais portugueses, espanhóis e franceses.

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